Belo Horizonte foi palco de um crime chocante que abalou a tranquilidade do bairro São Pedro, na Região Centro-Sul. O brutal assassinato do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, dentro de seu apartamento de luxo, mobilizou intensamente a Polícia Civil de Minas Gerais. A investigação, que se desenrolou rapidamente, culminou na prisão da principal suspeita: a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, que confessou parte do crime e agora aguarda os próximos passos da justiça.
Este artigo detalha a complexa linha do tempo que levou à elucidação inicial do caso, desde o dia fatídico até a captura da suspeita, explorando os desdobramentos e as pistas que guiaram os investigadores.
O Trágico Desfecho em Apartamento de Luxo
O cenário do crime era o lar do casal, um apartamento no prestigiado bairro São Pedro. Cláudio e Maria Clotilde foram encontrados sem vida, em circunstâncias que imediatamente levantaram a suspeita de um latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte. As primeiras análises da Polícia Civil apontaram para este tipo de crime, dada a desorganização e o desaparecimento de objetos de valor do imóvel.
Paola Stefany Neto Cirino foi identificada como a principal suspeita. Ela havia sido contratada para realizar serviços de faxina no apartamento, uma indicação feita por um parente das vítimas que atestava sua confiabilidade, destacando que a mulher já prestava serviços em sua própria residência há meses sem qualquer histórico de problemas. A ligação entre a suspeita e as vítimas foi um ponto crucial para a investigação, que rapidamente começou a traçar os passos da diarista.
A Cronologia do Crime e da Descoberta
A minuciosa apuração da Polícia Civil e a análise de imagens de segurança permitiram reconstituir os eventos que levaram à morte do casal e os dias subsequentes, fornecendo um panorama claro dos fatos.
Segunda-feira (29): O Dia do Crime
A segunda-feira, 29 de abril, marcou o primeiro dia de trabalho de Paola Stefany no apartamento dos Atala Inácio. Câmeras de segurança do edifício registraram sua chegada por volta das 7h30. A investigação delimitou que o latrocínio ocorreu entre 12h30 e 15h, com base no último contato telefônico de Cláudio Atala com um familiar às 12h25.
Em depoimento inicial aos investigadores, Paola alegou ter dopado o casal com quatro comprimidos de um medicamento de uso pessoal, antes de atacá-los com uma faca encontrada na própria residência. Após os assassinatos, a diarista teria tomado banho no apartamento, trocado de roupa e, em seguida, coletado relógios, joias, celulares e outros itens de valor. Ela deixou o prédio carregando bolsas e sacolas, que não possuía ao chegar, indicando a concretização do roubo.
Terça-feira (30): A Descoberta dos Corpos
Sem conseguir contato com os pais desde o dia anterior, o filho do casal se dirigiu ao apartamento na terça-feira. Lá, fez a trágica descoberta dos corpos. A perícia técnica constatou a brutalidade do crime: Cláudio Atala foi atingido por 17 facadas, e Maria Clotilde, por sete. Ambos apresentavam ferimentos compatíveis com tentativas de defesa. Os investigadores também notaram que uma gaveta onde semijoias eram guardadas havia sido violada, e celulares e outros pertences pessoais haviam desaparecido, consolidando a hipótese de latrocínio.
Quarta-feira (1º): Identificação da Suspeita e Apelos
No dia seguinte à descoberta, a Polícia Civil conseguiu identificar Paola Stefany como a principal suspeita. A análise detalhada das imagens das câmeras de segurança foi fundamental, mostrando-a entrando no prédio pela manhã e saindo aproximadamente oito horas depois com vestimentas diferentes e carregando várias bolsas e sacolas.
Paralelamente à investigação policial, a tia da suspeita fez um apelo público para que Paola se entregasse. Em entrevista, ela expressou a desolação da família e mencionou que a sobrinha havia passado por tratamento psiquiátrico cerca de um ano antes, embora não mantivesse acompanhamento regular. Ainda durante a quarta-feira, a Polícia Civil recuperou os celulares das vítimas na cidade de Vespasiano, iniciando uma nova linha de investigação para apurar a possível participação de outras pessoas na fuga da diarista ou na comercialização dos bens roubados.
A Prisão, Confissão e os Próximos Passos
A incessante busca pela suspeita rendeu frutos, culminando em sua captura e nos primeiros esclarecimentos sobre o crime.
Quinta-feira (2): A Captura em Itabira
Na madrugada de quinta-feira, 2 de maio, a Polícia Civil de Minas Gerais efetuou a prisão de Paola Stefany em um hotel na cidade de Itabira, Região Central do estado. Ela estava acompanhada de seu filho de 6 anos. A suspeita já vinha sendo monitorada pelo setor de inteligência da polícia desde o dia anterior. Paola não ofereceu resistência à prisão, afirmando aos policiais que já esperava ser detida devido à grande repercussão do caso.
Confissão Parcial e Descarte de Provas
Em conversa com os investigadores, Paola Stefany confessou o crime. Ela alegou que sua intenção inicial não era roubar, mas que a decisão de levar os objetos de valor surgiu após sua entrada na residência. A diarista também mencionou ter sofrido um 'surto psicótico' no momento dos fatos. Contudo, durante o interrogatório formal, optou por permanecer em silêncio. A Polícia Civil informou que a versão apresentada pela suspeita é parcialmente compatível com os vestígios encontrados pela perícia, mas o inquérito segue em andamento para total elucidação.
Após deixar o prédio das vítimas, a diarista descartou uma blusa com manchas de sangue, uma meia, caixas de relógios e uma bolsa em uma caçamba, tentando se livrar de evidências. Em seguida, embarcou em um carro, dando continuidade à sua fuga. A investigação revelou que os objetos roubados do apartamento foram posteriormente vendidos por Paola Stefany por um total de R$ 3,3 mil, evidenciando o claro motive de latrocínio.
Conclusão e Os Próximos Passos da Justiça
A rápida ação da Polícia Civil de Minas Gerais foi fundamental para a prisão da principal suspeita e para a coleta de provas robustas que sustentam a acusação de latrocínio. A confissão parcial de Paola Stefany, embora ainda cercada de lacunas a serem preenchidas, marca um passo importante na elucidação deste caso brutal que chocou a capital mineira.
Enquanto a prisão em flagrante da diarista foi ratificada, as investigações continuam em andamento. A Polícia Civil ainda busca determinar se houve a participação de outras pessoas na fuga de Paola ou na venda dos objetos roubados, visando garantir que todos os envolvidos neste crime hediondo sejam responsabilizados. A comunidade e as famílias das vítimas aguardam agora que a justiça seja plenamente feita.
Fonte: https://g1.globo.com