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Entre Acordes de Sertanejo e Riffs de Rock: A Vibrante Cena Musical Alternativa de Ribeirão Preto

G1

Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, é amplamente reconhecida pela força de seu agronegócio e pela hegemonia da música sertaneja em seu cenário cultural. Contudo, para além dos circuitos comerciais dominantes, a cidade abriga uma efervescente e resiliente cena roqueira, impulsionada pela dedicação de músicos e um público engajado. Essa dualidade revela um panorama musical complexo, onde a paixão pelo rock se manifesta em diferentes vertentes, desde a fiel reprodução de clássicos até a ousadia de composições autorais, cada uma enfrentando seus próprios desafios e encontrando seu espaço.

O Coração Pulsante do Rock em Meio ao Cenário Comercial

O rock em Ribeirão Preto opera predominantemente de forma independente, distante dos holofotes do mercado principal. Frederico Batista, produtor musical e experiente observador da cena local, com sua vasta coleção de vinis, atesta a existência de uma base de fãs sólida e dedicada. Ele explica que, apesar da forte presença do sertanejo nas casas de show que investem em música, o rock mantém sua vitalidade. As bandas frequentemente optam por repertórios de covers, um formato que se mostra mais atrativo para o público e garante agenda, enquanto o universo autoral, embora robusto, reside em um nicho mais restrito.

A Dinâmica entre Bandas Cover e Projetos Autorais

O mercado roqueiro ribeirão-pretano é marcado por uma clara distinção entre as bandas que revisitam sucessos consagrados e aquelas que buscam expressar-se através de composições originais. Ambas as abordagens demandam talento e esforço, mas encontram diferentes receptividades e oportunidades dentro e fora da cidade.

O Sucesso dos Covers e a Releitura de Clássicos

Juliana Prado, publicitária e corretora de imóveis, exemplifica o sucesso do segmento de covers. Vocalista de duas bandas, ela encanta o público com clássicos dos Beatles e a energia punk dos Ramoneros. Com uma trajetória que remonta aos anos 90, Juliana destaca o rigoroso estudo e a dedicação necessários para replicar os sons originais com profissionalismo. Essa abordagem não apenas atrai um público cativo, mas também assegura espaço nos bares alternativos da cidade, provando que o rock, longe de perder seu apelo, persiste e mantém sua atitude barulhenta e energética.

O Desafio da Música Autoral e a Busca por Novos Palcos

Em contraste, César Malnova, tatuador e vocalista da banda Igreja do Sexo, navega pelas águas desafiadoras da música autoral. Com um estilo gótico influenciado pelo punk e um novo álbum lançado, a banda, formada em 2008, realiza a maioria de seus shows na capital paulista. Malnova aponta a dificuldade de encontrar espaço para gêneros de nicho e para a música própria em Ribeirão Preto, onde a valorização do autoral é menor. Frederico Batista corrobora essa visão, explicando que a falta de incentivo local para projetos independentes leva-o, inclusive, a contratar bandas de São Paulo para seus festivais góticos na cidade, transformando o rock autoral, e especialmente o gótico, em um 'underground do underground' local.

Paixão que Move, Profissões que Sustentam

Para a maioria dos músicos da cena ribeirão-pretana, viver exclusivamente do rock é uma realidade distante. Tanto Juliana Prado, que atua no mercado imobiliário, quanto César Malnova, que gerencia seu estúdio de tatuagem, encaram a música como uma profunda paixão que coexistente com suas carreiras principais. Frederico Batista reforça essa observação, indicando que poucos conseguem se sustentar apenas com a música na região, e aqueles que o fazem frequentemente se encontram em um limite financeiro, atuando intensivamente para cobrir as despesas. Juliana vê essa dinâmica como uma forma de preservar a integridade artística, evitando a frustração de ceder a exigências comerciais. Para ela, a música é um 'hobby bem feito', uma fonte de alegria e terapia, livre de obrigações financeiras.

Novas Ondas e o Legado Contínuo do Rock na Cidade

Apesar das complexidades do mercado local, o interesse pelo rock em Ribeirão Preto encontra maneiras de se renovar e persistir. Frederico Batista menciona o ressurgimento dos discos de vinil como um dos fatores que insuflam novo fôlego ao gênero. Essa manifestação, ao lado da resiliência dos músicos em manter suas bandas e projetos vivos, seja nos palcos locais ou buscando audiências em outras cidades, solidifica a presença do rock como um elemento cultural permanente na cidade. A paixão inabalável de sua comunidade garante que, entre os acordes de sertanejo, os riffs do rock continuarão a ecoar, moldando uma identidade musical rica e diversificada em Ribeirão Preto.

Fonte: https://g1.globo.com

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