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Prévia da Inflação Desacelera em Janeiro para 0,20%, com Energia e Transporte Aliviando o Bolso

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

A prévia da inflação oficial para janeiro de 2026, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), registrou uma desaceleração notável, fechando o mês com uma variação de <b>0,20%</b>. Esse resultado representa uma perda de força em comparação aos 0,25% observados em dezembro. Os dados, divulgados nesta terça-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o índice acumulado nos últimos 12 meses alcançou 4,5%, atingindo o limite máximo da meta de inflação estabelecida pelo governo, que era de 4,41% no período anterior.

Desaceleração da Inflação: O Alívio nas Contas de Consumo

A redução nos custos de habitação foi um dos principais fatores para a moderação da prévia inflacionária. O grupo <b>Habitação</b> apresentou um recuo médio de preços de <b>-0,26%</b> na passagem de dezembro para janeiro. Dentro deste segmento, o item que mais contribuiu para frear o índice geral foi a <b>energia elétrica residencial</b>, com uma queda expressiva de 2,91%. Essa diminuição teve um impacto negativo de <b>-1,2 ponto percentual (p.p.)</b> no IPCA-15.

A explicação para o alívio nas contas de luz reside na mudança da bandeira tarifária, conforme determinado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Enquanto em dezembro estava em vigor a bandeira amarela, que implicava uma cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora (KWh) consumidos, em janeiro a bandeira passou para verde, eliminando qualquer custo extra para os consumidores.

Variações no Setor de Transportes: Quedas e Aumentos Pontuais

O setor de <b>Transportes</b> também exerceu um papel relevante na contenção da inflação, com uma média de preços em queda de <b>-0,13%</b>. A principal influência para essa retração veio das <b>passagens aéreas</b>, que ficaram, em média, 8,92% mais baratas. Outro ponto de impacto significativo foi a redução nas tarifas de <b>ônibus urbanos</b>, que recuaram 2,79% em média. Em Belo Horizonte, por exemplo, a implementação da tarifa zero aos domingos e feriados resultou em uma diminuição de 18,26% no valor das passagens.

Contrariando a tendência de queda em outros itens do grupo, os <b>combustíveis</b> registraram uma alta de 1,25% em janeiro. Esse aumento foi impulsionado por elevações no etanol (3,59%), na gasolina (1,01%), no gás veicular (0,11%) e no óleo diesel (0,03%). A gasolina, sozinha, representou o maior impacto positivo no IPCA-15, com 0,05 p.p. No entanto, o cenário para o próximo mês já aponta para uma possível reversão, visto que a Petrobras anunciou uma redução de 5,2% no preço da gasolina vendida às distribuidoras, a partir desta terça-feira.

Alimentação e Bebidas: O Retorno das Altas no Domicílio

O grupo <b>Alimentação e bebidas</b> apresentou uma aceleração nos preços, subindo <b>0,31%</b> em janeiro, em contraste com os 0,13% de dezembro. A alimentação consumida no domicílio, especificamente, interrompeu uma sequência de sete meses de queda e registrou um aumento de 0,21%. As maiores influências para essa alta foram o <b>tomate</b> (16,28%), a <b>batata-inglesa</b> (12,74%), as <b>frutas</b> (1,65%) e as <b>carnes</b> (1,32%).

Por outro lado, alguns produtos atuaram como “freios” para um avanço ainda maior da inflação neste grupo. O leite longa vida (-7,93%), o arroz (-2,02%) e o café moído (-1,22%) apresentaram quedas em seus preços, mitigando o impacto das demais elevações.

Panorama Geral dos Grupos Pesquisados

Dos nove grupos de produtos e serviços que compõem o IPCA-15, sete registraram aumentos em seus preços médios na virada de dezembro para janeiro. Além de Alimentação e Bebidas (+0,31%), outros grupos que contribuíram para a inflação foram <b>Educação</b> (0,05%), <b>Vestuário</b> (0,28%), <b>Despesas pessoais</b> (0,28%), <b>Artigos de residência</b> (0,43%), <b>Comunicação</b> (0,73%) e <b>Saúde e cuidados pessoais</b> (0,81%). Apesar desses aumentos, a influência de Habitação e Transportes foi decisiva para a desaceleração do índice geral.

IPCA-15 vs. IPCA: Entenda a Prévia Oficial

O IPCA-15 é conhecido como a prévia da inflação oficial do país, o IPCA, e sua metodologia é praticamente idêntica. Ambos os índices servem de base para a política de meta de inflação do governo, que atualmente é de 3% no acumulado de 12 meses, com uma margem de tolerância de 1,5 p.p. para mais ou para menos. Os dois índices consideram uma cesta de produtos e serviços para famílias com rendimentos que variam entre um e 40 salários mínimos, sendo o valor atual do mínimo R$ 1.621.

A principal diferença entre eles reside no período de coleta de preços e na abrangência geográfica. O IPCA-15, como prévia, tem sua pesquisa realizada e divulgada antes mesmo do fim do mês de referência – neste caso, o período de coleta foi de 13 de dezembro de 2025 a 14 de janeiro de 2026. Em termos geográficos, o IPCA-15 coleta preços em 11 regiões metropolitanas do país (Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), enquanto o IPCA abrange 16 localidades, adicionando Aracaju, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Vitória. O resultado completo do IPCA de janeiro será divulgado em 10 de fevereiro.

A desaceleração da prévia da inflação em janeiro de 2026, impulsionada principalmente pela queda nas contas de energia e em passagens aéreas e de ônibus, oferece um sinal de alívio para o consumidor. No entanto, o acumulado em 12 meses, que se manteve no teto da meta, e a aceleração em grupos como Alimentação e Bebidas, indicam a necessidade de um monitoramento contínuo das pressões inflacionárias nos próximos meses.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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