O crime brutal que chocou a cidade de Pontal, interior de São Paulo, ganha contornos mais claros com as investigações da Polícia Civil. Cleomar Borges Gomes, de 53 anos, foi preso sob a acusação de assassinar a facadas Geniane Pereira, de 20 anos, amiga de sua filha. Segundo o delegado Cláudio Messias, responsável pelo caso, o suspeito via a jovem como uma 'propriedade' sua, uma percepção distorcida que teria motivado o feminicídio.
A Percepção Deturpada e o Motivo do Feminicídio
As investigações apontam que Cleomar nutria um interesse obsessivo por Geniane, que não era correspondido. A polícia sustenta que a jovem foi morta por se recusar a ceder às investidas do homem. O delegado Messias explicou que Cleomar acreditava que, por Geniane estar hospedada em sua residência, ela automaticamente se tornaria 'propriedade dele' e, portanto, deveria se submeter aos seus assédios, desconsiderando qualquer desejo ou vontade da vítima. Este entendimento sobre o controle da vida alheia foi um fator crucial para o registro do caso como feminicídio.
Geniane e a filha de Cleomar haviam se mudado para a casa do suspeito apenas duas semanas antes do crime, motivadas por uma oportunidade de trabalho em uma multinacional. Testemunhas ouvidas logo após o ocorrido corroboraram a versão da polícia sobre as investidas e o comportamento obsessivo do agressor, reforçando a linha de investigação.
O Depoimento da Filha e o Comportamento Controlador do Pai
Em depoimento à Polícia Civil, a filha de Cleomar descreveu o pai como um indivíduo 'muito controlador', que tentava ditar a vida tanto dela quanto de Geniane. Segundo o relato, a vítima, descrita como uma pessoa educada e atenciosa, teria inicialmente dispensado considerável atenção a Cleomar, o que foi 'interpretado errado' por ele, levando-o a manifestar 'segundas intenções'.
A filha revelou ainda um incidente perturbador: Geniane teria mencionado que Cleomar apalpou seus seios, disfarçando o ato como uma brincadeira. A situação escalou quando o pai descobriu que as jovens estavam conhecendo outros homens e procurando uma nova moradia, momento em que passou a proferir xingamentos e ameaças contra ambas.
A Captura, Confissão e Justificativas Inconsistentes
Cleomar Borges Gomes foi capturado em uma praça de Ribeirão Preto, a 38 quilômetros de Pontal, cinco dias após o crime. Considerado foragido desde o dia 24 de abril, ele confessou o assassinato de Geniane, que foi atingida por pelo menos nove facadas no tórax, abdômen e pescoço enquanto seguia para o trabalho com a amiga. O suspeito alegou arrependimento durante o depoimento na delegacia.
Contrariando a evidência, Cleomar tentou justificar seus atos com alegações de que Geniane o xingava e levava outros homens para sua casa. O delegado Cláudio Messias, entretanto, descartou essas afirmações como inconsistentes e sem fundamento para o crime cometido. Ele ressaltou que tais justificativas não procedem e que a polícia já esperava que o agressor tentasse fabricar uma narrativa para atenuar sua culpa.
Áudios Pós-Crime Revelam Perseguição e Vingança
Antes de sua prisão, Cleomar Borges enviou áudios a familiares, cujas mensagens foram anexadas ao inquérito. Nesses registros, ele admitiu que estava monitorando a jovem e a própria filha havia dias. Em um trecho, ele afirma: 'Eu estava seguindo essas meninas fazia dias. Ela estava pensando que eu não estava sabendo onde que descia, aonde que pegava [o ônibus]. A pessoa está enganadinha'.
Em outra série de mensagens, Cleomar proferiu ameaças a estes mesmos familiares, prometendo vingança contra 'cada um que fez mal para ele'. As frases 'Enquanto eu não me vingar de um por um, eu não sossego' e 'Não vai sobrar um, não sobra um que fez mal pra mim' demonstram a intenção de retaliação e a mentalidade perigosa do suspeito.
Atualmente, Cleomar encontra-se sob prisão temporária em uma penitenciária da região, cuja localização não foi divulgada por razões de segurança. O delegado Messias afirmou categoricamente que há pouca ou nenhuma possibilidade de o suspeito retornar às ruas nos próximos 20 anos, dada a gravidade do crime e as evidências coletadas. A investigação segue em andamento, com a previsão de que mais testemunhas sejam ouvidas nos próximos dias para solidificar o caso contra o agressor.
Fonte: https://g1.globo.com