A guerra entre Rússia e Ucrânia alcançou uma nova e intensa fase no Mar Negro nesta quarta-feira (15), caracterizada por uma série de ataques coordenados que visam infraestruturas portuárias e embarcações. Ambos os lados intensificaram suas ações em um tabuleiro marítimo de crucial importância estratégica para o comércio e a logística militar, assinalando uma escalada significativa do conflito em águas disputadas.
Ataques Russos Devastam Odessa e Sua Infraestrutura Portuária
Os últimos desenvolvimentos foram precipitados por um ataque russo à cidade portuária de Odessa, no sul da Ucrânia. A ofensiva resultou na morte de três pessoas e deixou outras três feridas, conforme relatado por autoridades ucranianas. A gravidade do bombardeio se estendeu a edifícios residenciais, que sofreram danos consideráveis. Odessa, um dos centros de exportação mais vitais da Ucrânia, tem sido alvo recorrente de investidas russas. Este incidente recente segue um ataque com drones na véspera, que já havia ceifado duas vidas e danificado uma embarcação civil, reforçando a estratégia russa de atingir a infraestrutura portuária crucial para o escoamento de mercadorias ucranianas.
Ofensiva Naval Ucraniana Atinge Dezenas de Embarcações Russas
Em uma resposta direta e abrangente, a Ucrânia lançou uma contraofensiva no Mar Negro, mirando a frota russa. De acordo com Robert Brovdi, comandante das forças de drones de Kiev, drones ucranianos atingiram 20 embarcações russas durante a noite. Entre os alvos confirmados, destacam-se 17 petroleiros, além de dois navios-tanque de gás e um rebocador. Esta ação se integra a uma campanha mais ampla conduzida por Kiev contra a logística marítima da Rússia. Brovdi também revelou que, apenas na terça-feira (14), 11 embarcações russas foram atingidas no Mar de Azov, incluindo cinco petroleiros, cinco cargueiros e um rebocador. O total de navios impactados nesta região, segundo o comandante, ascendeu a 116 em um período de apenas nove dias.
Acusações de "Terrorismo" e Justificativas Estratégicas
A intensificação dos ataques marítimos provocou uma forte reação de Moscou, que classificou as ações ucranianas como "terrorismo". O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, declarou que os ataques no Mar de Azov não possuem um objetivo militar legítimo, visando apenas causar danos e intimidação. A Rússia acusa Kiev de tentar desestabilizar uma de suas principais rotas de exportação agrícola. Por sua vez, uma fonte militar ucraniana, em declaração à Reuters, defendeu as operações, afirmando que as Forças Armadas da Ucrânia se concentram exclusivamente em alvos militares ou estruturas que contribuam para o esforço de guerra russo, desconsiderando embarcações que transportam cargas civis.
Consequências na Vital Exportação Global de Grãos
Os confrontos navais se desenrolam em um momento crítico para o comércio agrícola de ambos os países. O Mar de Azov representa uma via estratégica para o escoamento de grãos russos, respondendo por aproximadamente um quarto das exportações do setor. Desde 10 de julho, a navegação na região permanece restrita, com dificuldades para embarcações comerciais transitarem pelo Estreito de Kerch e o canal Azov-Don. Diante desse cenário, o Ministério da Agricultura da Rússia informou que as exportações poderão ser redirecionadas para portos do Mar Negro ou do Mar Báltico, garantindo, segundo o governo, o cumprimento de seus compromissos internacionais. Em contrapartida, autoridades ucranianas alertam que os ataques russos aos portos da região de Odessa podem reduzir a capacidade mensal de exportação de grãos da Ucrânia em até um terço, acentuando os desafios econômicos da guerra para a cadeia de suprimentos global.
A escalada militar no Mar Negro e no Mar de Azov redefine o cenário da guerra, transformando as rotas marítimas em focos de intensa disputa. Enquanto a Rússia busca minar a capacidade de exportação da Ucrânia através de ataques a seus portos vitais, Kiev responde com ofensivas ousadas contra a frota logística russa. O impacto dessas operações se estende muito além das fronteiras dos dois países, ameaçando a estabilidade do mercado global de alimentos e reforçando a natureza multifacetada e cada vez mais imprevisível do conflito.
Fonte: https://g1.globo.com