A Passarela do Samba Chico Coimbra, em São Luís, foi palco de um espetáculo vibrante e multifacetado nos dias 20 e 21 de fevereiro, sexta e sábado, atraindo milhares de pessoas para celebrar o Carnaval maranhense. As duas noites de desfiles, que reuniram blocos tradicionais e escolas de samba, destacaram não apenas a rica cultura local, mas também a profundidade de temas como a tradição afro-brasileira, a religiosidade e o crescente protagonismo feminino, transformando o evento em um verdadeiro mosaico de expressões artísticas e comunitárias.
Abertura Festiva e a Força dos Blocos Tradicionais
A celebração carnavalesca teve início na sexta-feira com a energia contagiante de grupos de tambor de crioula, como Proteção Mirim, Alegria de São Benedito, Jardim São Benedito e Pindarezinho, que aqueceram o público com seus ritmos ancestrais. Na sequência, nove agremiações do Grupo B de blocos tradicionais tomaram a avenida, entre eles Os Gigantes, Os Diplomáticos e Os Vingadores. Essas apresentações foram marcadas por coreografias cativantes, fantasias exuberantes e a alegria característica dos blocos que, ativos durante todo o ano, refletem o engajamento de suas comunidades.
O sábado manteve o ritmo e a qualidade, com mais dez blocos tradicionais exibindo o fruto de um trabalho contínuo, desenvolvido ao longo de 2025. Com a presença marcante de percussionistas vibrantes, balizas habilidosas e alegorias impactantes, essas agremiações demonstraram o alto nível de organização e paixão que move o Carnaval de São Luís, reafirmando seu papel como guardiões da identidade cultural maranhense.
Escolas de Samba: Enredos que Contam Histórias e Celebram Identidades
As escolas de samba trouxeram narrativas ricas e diversificadas para a Passarela, transformando cada desfile em uma lição de história, cultura e sensibilidade. Com enredos bem elaborados e a dedicação de seus componentes, elas aprofundaram os temas propostos, cativando a audiência.
Sexta-feira: De Volta ao Palco e a Celebração Feminina
A noite de sexta-feira também foi palco para cinco escolas de samba. A Mocidade Independente da Ilha protagonizou um retorno simbólico, após o desabamento de seu barracão, com o enredo “O Beijo – Uma Expressão Humana Através do Tempo”. A Terrestre do Samba, vinda da Estiva, emocionou com o samba-enredo "Oké Arô Oxóssi", enaltecendo a força dos orixás e a importância dos terreiros. O Império Serrano, com suas alas em vermelho vibrante e destaque para os guarás, fez um alerta crucial sobre a preservação dos manguezais. A Turma da Mangueira prestou uma merecida homenagem à professora e ativista Mundinha Araújo, com o tema “O Farol a nos Guiar, a Guerreira a nos Guardar”. Encerrando a primeira noite de escolas, a Favela do Samba celebrou a força e a beleza de figuras femininas e as quebradeiras de coco babaçu, através do enredo “Entre o Ventre e a Flor: Mulheres, Mitos e Deusas”.
Sábado: Fé, Natureza e Comunicação em Destaque
No segundo dia de desfiles das escolas de samba, a Túnel do Sacavém, fundada em 1997, homenageou a divindade “Xangô”, trazendo fé e ancestralidade para a avenida. Em seguida, a Unidos de Fátima, do Bairro de Fátima, encantou o público com um samba-enredo dedicado aos deslumbrantes Lençóis Maranhenses, um patrimônio ecológico de renome mundial. A Marambaia, também do Bairro de Fátima, explorou a evolução da comunicação humana, desde os primórdios até a interatividade virtual, com o tema “A Arte da Comunicação”. A Turma do Quinto fez a plateia cantar em coro com “Na Turma do Quinto o Reggae é a Lei”, uma reverência ao ritmo que é a alma do Maranhão, com samba de autoria de Josiel Costa, Jaílson Pereira, Carlos Boniek, Vicente Melo e Arthur Santos. Fechando com chave de ouro, a campeã Flor do Samba apresentou novamente seu poderoso enredo “Entre o Ventre e a Flor: Mulheres, Mitos e Deusas”, reverenciando divindades, figuras históricas e anônimas que moldaram gerações, consolidando o tema do protagonismo feminino.
Infraestrutura de Ponta para Grandes Espetáculos
A Passarela do Samba Chico Coimbra demonstrou estar à altura do espetáculo, oferecendo uma infraestrutura completa para o público. Com aproximadamente 200 metros de extensão e capacidade para receber até 5 mil pessoas por noite, o espaço contou com arquibancadas cobertas, frisas, camarotes e uma área preferencial, garantindo conforto e segurança aos espectadores. A entrada gratuita nas arquibancadas reforçou o caráter democrático e acessível da celebração, permitindo que a população desfrutasse plenamente de cada momento dos desfiles.
As duas noites na Passarela do Samba Chico Coimbra foram um testemunho da riqueza cultural do Maranhão, da dedicação de suas comunidades e da capacidade de seus artistas em transformar a folia em uma plataforma para narrativas significativas. O sucesso dos desfiles, que celebraram a tradição, a religiosidade e o empoderamento feminino, prepara o terreno para o encerramento oficial da temporada carnavalesca na passarela neste domingo (22), com os desfiles dos blocos tradicionais do Grupo A, consolidando um Carnaval memorável em São Luís.
Fonte: https://g1.globo.com