O Sambódromo do Anhembi foi palco de um espetáculo de cores, ritmos e emoções na madrugada deste sábado, 14 de fevereiro de 2026, marcando o início vibrante dos desfiles do Grupo Especial do carnaval de São Paulo. A primeira noite de apresentações consagrou Dragões da Real, Acadêmicos do Tatuapé e Vai-Vai como os grandes destaques, em uma jornada temática que explorou a força feminina, a riqueza da natureza, a profundidade da espiritualidade e a dignidade do trabalho. Ao todo, sete agremiações cruzaram a avenida, cumprindo rigorosamente os tempos estabelecidos e prometendo uma disputa acirrada pelo título.
As Escolas que Abriram a Folia Paulistana
Com pontualidade e grandiosidade, as sete escolas do Grupo Especial desfilaram da noite de sexta-feira (13) para a manhã de sábado (14), cada uma com seus enredos cuidadosamente elaborados e apresentações repletas de criatividade. Mocidade Unida da Mooca, Colorado do Brás, Dragões da Real, Acadêmicos do Tatuapé, Rosas de Ouro, Vai-Vai e Barroca Zona Sul apresentaram seus sambas-enredo, alegorias e fantasias em até 65 minutos, cativando o público presente e os milhões de telespectadores.
Mocidade Unida da Mooca: Uma Estreia Emocionante em Homenagem às Mulheres Negras
A Mocidade Unida da Mooca fez uma estreia memorável no Grupo Especial, abrindo os trabalhos com um enredo potente em homenagem ao instituto “Geledés – Instituto da Mulher Negra”. O desfile foi uma jornada pela mística iorubá, culminando na exaltação de figuras femininas negras que fizeram história, como Sueli Carneiro, Nilza Araci, Conceição Evaristo e Erika Hilton. Um dos pontos altos foi a emocionante “paradona” da bateria, onde ritmistas se ajoelharam e levantaram o punho em um gesto de reverência e força, um momento que, apesar de exigir um ritmo mais acelerado da escola, foi concluído dentro do tempo regulamentar.
Colorado do Brás: Bruxas e Magia no Anhembi
Em seu segundo ano consecutivo no Grupo Especial, a Colorado do Brás trouxe uma temática inusitada e envolvente: “A Bruxa está solta! Senhoras do saber renascem na Colorado”. O enredo explorou o universo das bruxas, desde o misticismo e o terror inicial até uma abordagem mais leve e colorida, com referências a curandeiras indígenas, caldeirões e corujas. O público foi à loucura com o terceiro carro alegórico, “A Convenção das Bruxas”, que reuniu personagens icônicas da cultura pop, como Úrsula, a Glinda de “Wicked” (interpretada pela atriz Fabi Bang), a Bruxa do 71 e a Cuca, em uma celebração da figura feminina com seus poderes e saberes.
Dragões da Real: Uma Ode Grandiosa à Amazônia e suas Guerreiras
A Dragões da Real inovou ao levar, pela primeira vez em sua trajetória, um enredo indígena para a avenida, mergulhando no universo da Amazônia e celebrando as lendárias mulheres guerreiras Icamiabas. A agremiação, que busca seu primeiro título após três vice-campeonatos, impressionou logo de cara com seu abre-alas, apresentando o maior dragão já construído pela escola, com nove metros de imponência. Fantasias coloridas e iluminadas, repletas de efeitos especiais, deram vida à floresta, e a madrinha de bateria Lexa exibiu um efeito de luz verde nas mãos. Carros alegóricos grandiosos representaram a riqueza amazônica, com destaque para o último, que trazia uma onça gigante que se abria para revelar o rosto de uma mulher, mesmo com uma pequena falha técnica na abertura, a imagem permaneceu impactante.
Acadêmicos do Tatuapé: Da Semente à Luta Pela Terra e Homenagens
Vice-campeã em 2025, a Acadêmicos do Tatuapé trouxe para a avenida um enredo socialmente relevante sobre a história da agricultura e as lutas pela terra no Brasil. O desfile começou com a exaltação da semente, da fauna e da flora, em um abre-alas de cores vibrantes, e evoluiu para narrar as disputas por terras, incluindo alas dedicadas a Canudos e à reforma agrária popular. A escola também abordou os desafios da agricultura, como o desmatamento e as pragas. Além das fantasias exuberantes, a bateria da Tatuapé foi um show à parte, dominando o Anhembi. A apresentação culminou com a celebração do agricultor e uma festa da roça, incluindo uma emocionante homenagem póstuma a Thiago Arakaki, torcedor que faleceu em 2025 e foi um doador de órgãos.
Rosas de Ouro: Astrologia e Resiliência Diante dos Desafios
A Rosas de Ouro, campeã em 2025, enfrentou um início de desfile com desafios, entrando na avenida com 0,5 ponto a menos devido à não entrega de pastas técnicas e sofrendo um atraso de mais de trinta minutos para a limpeza da pista após um vazamento de óleo. Apesar dos contratempos, a escola trouxe o enredo “Escrito nas Estrelas”, explorando a relação das civilizações antigas com a astrologia. A apresentação abriu com uma rica representação desse universo cósmico, e um dos carros alegóricos contou com a participação da conhecida sensitiva Marcia Sensitiva, adicionando um toque de misticismo à celebração.
Vai-Vai e Barroca Zona Sul Completam a Noite
Complementando o grupo de elite que desfilou na primeira noite, a tradicional Vai-Vai e a Barroca Zona Sul também apresentaram seus espetáculos. Ambas as escolas cumpriram seus desfiles dentro do tempo estabelecido, demonstrando a disciplina e a paixão características do carnaval paulistano. Embora o destaque inicial tenha recaído sobre outras agremiações, a participação dessas escolas foi fundamental para a construção da atmosfera vibrante e competitiva do primeiro dia de folia.
A Antecipação para o Segundo Dia de Desfiles
A emoção do carnaval de São Paulo continua neste sábado (14) e domingo (15) com o segundo dia dos desfiles do Grupo Especial. A expectativa é alta para as apresentações de Império de Casa Verde, Águia de Ouro, Mocidade Alegre, Gaviões da Fiel, Estrela do Terceiro Milênio, Tom Maior e Camisa Verde e Branco, que prometem manter o nível de grandiosidade e criatividade, garantindo mais momentos inesquecíveis no Sambódromo do Anhembi e consolidando o Carnaval de São Paulo como um dos maiores espetáculos do mundo.
Fonte: https://g1.globo.com