O icônico cilindro tricolor que adorna a fachada de inúmeras barbearias ao redor do mundo carrega uma história surpreendentemente macabra, remontando a práticas médicas medievais. Longe de ser um mero ornamento estético, o símbolo é um legado de tempos em que barbeiros exerciam funções muito além de aparar cabelos e barbas.
Na Idade Média, a figura do barbeiro-cirurgião era comum. Sem a especialização médica que conhecemos hoje, esses profissionais acumulavam a responsabilidade de realizar uma variedade de procedimentos, desde extração de dentes até sangrias, consideradas tratamentos para diversas enfermidades. As cores do poste refletem essa história sangrenta: o vermelho representa o sangue, o branco, as ataduras utilizadas, e o azul, em algumas interpretações, as veias.
A sangria, prática que consistia em retirar sangue do paciente, era realizada com o objetivo de equilibrar os “humores” do corpo, uma crença da medicina da época. Após o procedimento, o barbeiro pendurava as ataduras ensanguentadas em um poste do lado de fora da loja. Com o tempo, para evitar a exposição constante de sangue, as ataduras foram substituídas por faixas coloridas, que posteriormente evoluíram para o cilindro giratório que conhecemos.
A popularização do poste tricolor como símbolo das barbearias se consolidou ao longo dos séculos, perpetuando a memória da dupla função exercida por esses profissionais. Mesmo com o avanço da medicina e a separação das atividades de barbearia e cirurgia, o cilindro permaneceu, tornando-se um ícone cultural reconhecido globalmente.
Hoje, poucas pessoas que frequentam uma barbearia associam o símbolo ao seu passado sangrento. No entanto, o poste tricolor continua a evocar uma tradição centenária, lembrando-nos de uma época em que a linha entre barbear e curar era tênue, e o barbeiro desempenhava um papel fundamental na saúde e bem-estar da comunidade. A próxima vez que você vir um desses postes girando, lembre-se da história por trás das cores e do papel multifacetado que os barbeiros desempenharam na sociedade.
Fonte: www.uol.com.br